Alta dos alimentos pressiona orçamento das famílias e reforça importância das negociações coletivas.

O aumento contínuo no preço dos alimentos voltou a acender o alerta entre os trabalhadores brasileiros. Dados recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) demonstram que o custo da cesta básica subiu em todas as 27 capitais do país no mês de abril de 2026, agravando o comprometimento da renda das famílias trabalhadoras.

Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab, São Paulo registrou a cesta básica mais cara do país, chegando a R$ 906,14. Curitiba aparece entre as capitais com maior custo de alimentação, com a cesta básica atingindo R$ 796,10 em abril de 2026, após alta mensal de 3,44%.

Os principais vilões da inflação alimentar foram produtos essenciais ao cotidiano dos trabalhadores, como tomate, leite integral, batata, arroz e feijão. Em Curitiba, por exemplo, o tomate acumulou alta de 21,10% apenas entre março e abril, enquanto a batata subiu 14,65% e o leite integral, 12,50%.

O impacto desses aumentos é direto sobre o poder de compra da população. O próprio DIEESE aponta que, em abril de 2026, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.612,49, valor equivalente a 4,70 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621,00.

Além disso, o trabalhador remunerado pelo piso nacional precisou comprometer, em média, 49,57% do salário líquido apenas para adquirir os produtos básicos de alimentação.

Negociações coletivas ganham papel estratégico.

Diante desse cenário, as campanhas salariais e as negociações coletivas tornam-se instrumentos fundamentais para garantir a recomposição do poder de compra dos trabalhadores.

O boletim “De Olho nas Negociações”, também elaborado pelo DIEESE, mostra que as negociações salariais de 2026 vêm apresentando resultados positivos. Até abril deste ano, cerca de 90,2% dos reajustes analisados ficaram acima da inflação medida pelo INPC, garantindo ganhos reais aos trabalhadores. A variação real média acumulada no período foi de 1,81%.

No levantamento específico da data-base de abril, 93,5% das negociações registraram ganhos reais, enquanto apenas 2,2% ficaram abaixo da inflação.

O DIEESE também destaca que o reajuste necessário para as categorias com data-base em maio de 2026 é de 4,11%, percentual correspondente à inflação acumulada pelo INPC nos últimos 12 meses.

Defender reajuste acima da inflação é defender dignidade.

Para o Sindereparação, os dados reforçam aquilo que os trabalhadores sentem diariamente no supermercado: mesmo quando alguns índices gerais de inflação aparentam desaceleração, os alimentos seguem pressionando o orçamento das famílias.

A luta sindical por reajustes salariais acima da inflação não representa “ganho excessivo”, mas sim uma medida necessária para evitar a perda da capacidade de sobrevivência da classe trabalhadora.

Em regiões como o Sul do país, onde os pisos salariais médios são maiores, também se observa um custo de vida mais elevado. Segundo o DIEESE, a região Sul apresentou o maior piso salarial médio do país em 2026, alcançando R$ 1.981,00.

Ainda assim, em cidades como Curitiba, mais de 53% da renda líquida de um trabalhador que recebe salário mínimo é consumida apenas pela cesta básica.

Valorização salarial é prioridade.

O Sindereparação reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos, da valorização salarial e da melhoria das condições de vida dos trabalhadores representados.

Em um contexto de alta nos alimentos, encarecimento do custo de vida e crescente pressão econômica sobre as famílias, fortalecer as negociações coletivas e garantir reajustes reais torna-se essencial para preservar a dignidade do trabalho.


Referências

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). De Olho nas Negociações: resultados até abril de 2026. São Paulo: DIEESE, maio 2026.

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos: resultados de abril de 2026. São Paulo: DIEESE/Conab, 11 maio 2026.

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